9.5.05

Salvamentos


Ao longe vislumbrava-se o oceano. Já conseguia imaginar os meus pés a sentir a areia morna. Apressei o passo. Saudades do mar.

O vento tinha desaparecido como por magia e o calor queimava-me o corpo de tal forma que chegava a doer. Procurei uma sombra, não encontrei.

Apressei o passo, pois o metal que me cobria o corpo filtrava o sol de tal forma que o tornava insuportável. Queria refrescar-me. Não aguentava mais.

Ao chegar à praia reparei que também os meus pés já estavam cobertos de metal, o processo estava completo.

Agora tinha mesmo que encontrar o livro ou nunca mais iria saber qual a sensação de sentir a areia da praia a afagar-me a pele.

De repente, alguém, que nem sequer me deu tempo de falar, agarrou-me pelo braço, levou-me para um helicóptero e disse:

- Mushu, só tu nos podes ajudar! Há vidas para salvar. - quem seria? Como saberia o meu nome?

Entrei, podia ser que assim chegasse ao fim da minha busca.

6.5.05

O leão



Deixei o parafuso com a chave de fendas. Que fossem felizes.

Mais à frente, na praça central, encontrei....

Com um gelado daqueles até vai apagar a Luz.

Sentei-me, cansada, e adormeci.

5.5.05

Reencontro


Virei costas ao esqueleto para continuar a minha caminhada. Mas uma voz do além sussurrou-me ao ouvido: "Mushu.... vê lá se não será o esqueleto que tem o teu parafuso!..."

Voltei atrás, procurei, perguntei. mas não obtive resposta, apenas um chocalhar de ossos. Voltei a desistir e segui caminho.

Porém, ao virar a esquina, lá estava ele, o meu parafuso. Tinha-se apaixonado por uma chave de fendas. Deixou-me com um problema, deixo-o viver a paixão, ou pego nele e trago-o comigo?

Espero que as vozes do além me respondam.




4.5.05

A quase ajuda


Depois de sair daquele restaurante, onde afinal não consegui comer, continuei a caminhada.

Ao longe parecia que alguém se estava a dirigir a mim. "Saberá ele do meu livro? Trará alguma pista?" - pensei.

Aproximei-me a medo.

Afinal era apenas uma vítima do restaurante de onde eu tinha acabado de sair. Na tentativa de o ajudar pendurei-lhe uns fios, tal fantoche, para ver se o ajudava a caminhar. Afinal eu precisava de companhia. Puxei os fios... mas só consegui uns movimentos descoordenados.

Desisti.


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3.5.05

A fome, ou quase


Depois de tão belo espectáculo senti que uma sensação estranha, como se de fome se tratasse, se apoderava do meu estômago.

O vento continuava a soprar, mas, estranhamente, sentia menos frio. Enquanto caminhava, sem ainda ter pista alguma do paradeiro do livro de instruções e do parafuso que tanta falta me faziam, reparei num espelho quebrado que se encontrava pendurado numa parede suja e em ruínas.

Aproximei-me a medo. Não sabia o que iria encontrar do outro lado do espelho. Seria eu, ou seria.... o que eu mais temia? Era mesmo. Ao olhar-me ao espelho reparei que já muito pouca pele me restava. Tinha o rosto quase todo coberto por metal. Era por isso que já não sentia o frio.

Chorei. Não verti lágrimas.

Continuei. Agora tinha mesmo que encontrar o livro, ou o processo seria irreversível.
Aproximei-me de uma porta, pareceu-me um restaurante. E como tinha fome, abri-a.

2.5.05

A caminho


O fim de semana passou. Não saí de casa, não fosse aquela criatura ter sobrevivido ao choque da nave espacial.

Abri a porta, espreitei para fora devagar. O caminho estava livre. Corria uma brisa fresca que me cortava geladamente a pele, ou o pouco que dela restava.

Caminhei sem destino. Não sabia por onde começar a procurar. Não havia qualquer pista, nem ninguém que me pudesse ajudar. As ruas estavam desertas, só se ouvia a brisa que se intensificara e se transformara num vento forte que me percorria o corpo e me acariciava os cabelos.

Deixei-me conduzir pelas minhas pernas, que quase já nem respondiam aos meus comandos, e pelo vento. Cheguei ao final de uma rua longa, e ao virar da esquina...

Fiquei ali, esquecida de tudo, em alegre contemplação.

30.4.05

E como é fim de semana


Encontrei um livro! Ainda, não é o meu livro de instruções... mas ajuda a passar o tempo. Continuarei a busca depois do fim de semana.




Vou descansar! Até Segunda!

29.4.05

A demanda continua



Ao abrir a porta, na minha busca do livro perdido, deparei-me com este espectáculo.

Como não queria dar de caras com uma criatura daquelas, voltei a entrar e tranquei a porta.

Que fazer? Onde estará o livro? E os parafusos?

28.4.05

Warp II



Ao acordar dirigi-me como habitualmente para a casa de banho. Ao ver-me ao espelho nem queria acreditar.
"Não, não pode ser, ainda devo estar a sonhar"


Virei-me e fui até ao quarto. Lá estava eu, a dormir.
"Vês Mushu? Eu disse-te. Estás a dormir."
Mas... se estava a dormir, como podia estar em dois sítios ao mesmo tempo?
E porque é que me estavam a aparecer aqueles metais na cara? Bem, sempre é melhor que rugas.
"Estás no limiar da Loucura Mushu! Ou encontras depressa os parafusos e o livro de instruções ou nem sei o que te pode acontecer"
Corri novamente para o espelho. Tentei arrancar os pedaços de metal que se infiltravam na pele. Nada feito. Faziam já parte de mim, era aquela a minha pele agora.

Saí, à procura do livro que até há uns dias não sabia que existia.

27.4.05

Warp



Médico: Isto é grave...
Mushu: E agora, como se cura?
Médico: No seu caso, não sei bem. Tenho que ver o livro de instruções, trouxe consigo?
Mushu: (engole em seco) Livro de inssss... o meu?
Médico: Claro, queria que fosse o meu?
Mushu: aahhh, pois... o livro, é que...
Médico: Então?
Mushu: Pois, sabe, perdi-o. Mas Já coloquei um anúncio na internet.
Médico: Pois. Mas isso não chega. E como conseguiu escrever?
Mushu: Bem, tirei um dos parafusos que estava no joelho, coloquei no ombro, e deu para escrever, um pouco.
Médico: Pois, mas olhe que no seu caso penso que seja ferrugem. Andou à chuva?
Mushu: Não! Com esta seca como posso andar à chuva?
Médico: E vento húmido?
Mushu:Bem, ao vento sim, um pouco.
Médico: Então o melhor que tem a fazer é trazer-me o livro.
De repente abre-se um buraco no chão. Mushu é sugada conseguindo apenas gritar: Ferrugem nããããoooo! Tudo menos isso!

Foi aí que eu acordei. Que sonho!

21.4.05

Só este... tinha que ser





Amigo, se eu piorar, mando-te a conta do médico, ouviste ABC Dário?

E obrigada a todos pelas vossas palavras amigas e sugestões de cura. Até dia 26!

Tendinite



Maldito tendão.... não quer colaborar.
Serve para se verem livres de mim por uns dias.
Não dá muito jeito escrever só com uma mão.
Até depois do 25 de Abril... se o tendão me der liberdade.
Ou antes... se eu não resistir.

18.4.05

Para início de semana...



Jim Davis- click na imagem para aumentar

Pronto, eu sei, segunda-feira é um péssimo dia. Mas para vos alegrar o dia estou cá eu.

Ora vejam só o que descobri, a melhor cantora de todos os tempos, ora cliquem lá:
"Hi, I am Wing! I immigrated to New Zealand with my family about ten years ago from Hong Kong. I have been learning singing in New Zealand and I do performances in Rest Homes and Hospitals and occasionally promotional concerts as I go along."
Não se esqueçam de ouvir, em especial, a música do cd9 - Dancing Queen, "Fernando". O sotaque? Fantástico!
Qual Zé Cabra qual quê? Temos ali a verdadeira artista made in Hong Kong.